Origem e evolução do empreendedor


       Muitas são as características que diferenciam um empreendedor. São incontáveis, também, as dicas e conceitos padrões que sobrevoam o empreendedorismo. Mas em um ambiente onde inovar e refletir é obrigatório, torna-se comum surgir conceitos divergentes e discussões que colocam em dúvida afirmações antes vistas como corretas. Em entrevista à HSM Management, o professor da escola de pós-graduação em administração de empresas da Columbia University, Amar Bhidé, desmistifica a criatividade e a genialidade dos empreendedores.  Segundo ele, os empreendedores não arriscam tanto como as pessoas crêem e, muitas vezes, não são os primeiros a chegar, mas sim os melhores na hora de executar.
 
       Confira parte da entrevista que descreve o empreendedor e o processo de identificação de oportunidades:

 

Que características pessoais costumam ter os empreendedores bem-sucedidos?
Creio que uma das coisas que os distinguem do resto dos indivíduos do mundo dos negócios é sua alta tolerância à ambiguidade, o que lhes permite lançar-se em muitas coisas mesmo quando é difícil imaginar como se desenrolarão. A tolerância à ambiguidade implica seguir em frente com poucas informações, pouco capital e até sem idéias inovadoras.

Em seu livro The Origin and Evolution of New Businesses, o sr. afirma que esses empreendedores bem-sucedidos não são tão audaciosos como parecem e que, em geral, fazem com que outros assumam os riscos em seu lugar.
É assim mesmo. Quem assume o maior risco nesse tipo de negócios, em última análise, são os consumidores, que são os que acabam financiando o empreendimento. Embora a irracionalidade seja uma condição fundamental para que um empreendimento prospere, não é o fundador que age irracionalmente; são as pessoas que ele utiliza para fazer com que o negócio funcione.
 
Uma vez identificada a oportunidade, como se coloca em funcionamento o projeto?
Pela análise de muitos casos bem-sucedidos, descobri que, longe de tratar-se de operações de grande risco, a colocação em funcionamento desses negócios foi realizada por empreendedores que não tinham muito a perder com isso. Começavam com um investimento de capital muito pequeno, modificando ou às vezes até imitando um negócio existente, num mercado pouco explorado ou em pleno processo de mudança. Em vez de envolver planos fantásticos de negócios, a maioria desses empreendimentos prosperou pela capacidade de seus fundadores de adaptar-se e utilizar um oportunismo que lhes possibilitou desenvolver vantagens de curto prazo durante os primeiros anos.
 
Como se garante o equilíbrio entre as idéias criativas e a capacidade de execução?
Para iniciar um negócio potencialmente bem-sucedido, não é fundamental contar com uma idéia criativa, no sentido de aparecer com algo novo. Muito mais importante é ter a capacidade de executar a idéia de outro. Contudo, não se pode confundir idéia criativa com estratégia. Voltando a uma pergunta anterior, creio que é difícil estabelecer se é mais importante a estratégia ou a capacidade de execução. Insisto, porém, em que qualquer um desses dois fatores é mais importante do que contar com uma idéia criativa.
 
Entretanto, até há pouco tempo se considerava que a criatividade fosse um fator decisivo
nos negócios.
Sim, e vimos como essa lógica desmoronou. É preferível introduzir uma melhora em uma atividade na qual outro já tenha demonstrado que o negócio era possível a sonhar com algo novo que não se sabe como se comportará. Os empreendimentos mais bem-sucedidos começaram introduzindo apenas pequenas modificações no que os outros já haviam desenvolvido. Como dissemos, trata-se de encontrar um nicho e trabalhar nele.
 
* Confira a entrevista completa 























 

      

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