A cultura do Risco

 

Texto baseado na entrevista de John Seely Brown à HSM Management

O segredo para alimentar a invenção está em como criar autenticamente um espaço em que seja possível correr riscos. É fácil para a direção dizer: vá em frente e assuma riscos, mas esse comportamento deve fazer parte da cultura e emergir da maneira como as coisas são feitas a seu redor. Então, a pergunta é: como se estimula uma cultura propensa a assumir riscos?

Essa é, basicamente, uma questão de cultura organizacional, mas há diferençasregionais e nacionais. Somente é possível que a invenção aconteça na vida organizacional quando a cultura realmente estimula que se corram riscos no que diz respeito à tecnologia. Bem poucas organizações conseguiram isso, e menor ainda é o número das que o fazem atualmente, pois a redução das margens nas empresas as obriga a desistir de explorações estratégicas mais orgânicas.

 

 Como gerenciar a inovação:

A implantação de importantes avanços tecnológicos freqüentemente é mais desafiadora do que o próprio avanço tecnológico. No mercado real, a meta é encontrar o “ponto ideal” e descobrir por que e como essa nova invenção tecnológica pode atender às necessidades do mercado no momento específico. Uma empresa precisa estar bem fincada, focalizada e de mente aberta para fazer isso.  Embora os pesquisadores devam ser parte ativa desse processo, é função dos empreendedores entender o momento certo, o ritmo e a maneira de fazer com que algo novo se firme.

As grandes corporações não conseguem inovar com muita eficiência porque precisam ficar de olho principalmente em seus retornos trimestrais –qualquer escorregada significa que serão esquartejados por Wall Street. No contexto atual, elas são impulsionadas por sua capacidade de prever e alcançar metas financeiras até a casa dos centavos.

     Não se pode programar a invenção, assim como não se consegue programar a inovação. É preciso estar disposto a se mover com a velocidade do raio para crescer quando se chega ao “ponto ideal” de que estamos falando, e esse momento não pode ser previsto com precisão. Tal aumento de velocidade deve estar atrelado ao processo de planejamento financeiro anual. Essa é uma das razões pelas quais os capitalistas de risco são tão importantes para a inovação: eles não estão submetidos às mesmas pressões trimestrais ou anuais.

     O risco descontrolado é inacreditavelmente perigoso; na verdade, é simplesmente imbecil. Existe uma linha tênue entre o risco sem significado e o risco ponderado, e isso é algo que freqüentemente distingue uma pessoa que é boa em algo de alguém que não o é. Por isso, além de encorajar as pessoas a correr riscos, é preciso criar uma rede de segurança para eles. Os riscos devem ser administrados.

  • Como encorajar e, ao mesmo tempo, conter o risco:

     Deve-se encontrar uma forma de combinar o “aprender fazendo” com o “aprender enquanto espera”. Ao desenvolver a tecnologia para um novo conceito de produto, você está aprendendo o que é fácil fazer e o que é difícil fazer com a tecnologia. Você está aprendendo a real maleabilidade e robustez dessa tecnologia. Isso é aprender fazendo. O aprender enquanto espera lhe dá a oportunidade de ver quais as novidades do mercado externo e o que seus concorrentes estão fazendo.












 

      

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